A colega de quarto tinha viajado. Nós estávamos no sofá, a garrafa de vinho no carpete e os computadores em nossos colos. Eram 22h e ainda estávamos trabalhando.
"Terminei", eu disse. "Eu não", ela respondeu. Levantei, peguei o baseado e começamos a fumar. Foda-se que ela ainda estava trabalhando. Ela pensou o mesmo e começou a escrever chapada. Dez minutos depois eu não sentia mais meus pés. Éramos amigos, até aquele momento. Ao menos me parecia.
Abre parênteses.
No dia anterior, após outra garrafa de vinho, peguei o carro e fui levá-la até sua casa. Avenida Paulista, Rolling Stones, seu banco deitado, minha mão em seus cabelos. Quando chegamos, um abraço que durou mais de três segundos. "Agora fudeu", pensei. Descabelada, ela me olhou, riu e saiu do carro.
Fecha parênteses.
Fechei o computador dela, ela riu, sentou em meu colo e nos beijamos por uns quinze minutos. Quando parou para respirar, me deu um tapa na cara e falou: "Você é um safado. Sempre quis fazer isso...". Eu estava tão chapado que só me lembro de ter piscado e, de repente, estarmos nus na cama.
Meu juízo deve ter aproveitado a oportunidade para fazer companhia à garrafa de vinho que estava jogada no chão. Nunca mais eu o encontrei.
terça-feira, 9 de junho de 2009
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BVC (Bêbado, vadio e canalha) sempre.
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