quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cama

Coloquei uma mochila nas costas e fui pra São Paulo. Conhecia-a há um mês e era louco por ela há dois dias. Ela foi fazer um curso, eu fui atrás. Eu estava tão descrente do que havia acabado de fazer que achei que ela não estaria no lugar marcado.

Era noite. Estação de metrô da Vila Madalena. E, sim, ela estava lá, com seu o cabelo curto, a cara de sapeca, um vestido preto e um all-star. "Pensei que você não viesse", disse ela. O prazer de andar abaixo do radar é poder andar de mãos dadas na rua sem se preocupar em ser visto. Era SP e, naquela época, eu podia fazer qualquer coisa errada na rua. Era como Marte, talvez.

Fui para ficar hospedado na casa de meu primo, mas acabei dormindo na casa da irmã dela. Jantamos sushi num bar próximo ao metrô, bebemos _eu whisky, ela cerveja_ e depois fomos andando até nossa "pousada".

Fui para lá apenas para tomar banho. Quando tirei a blusa, ela disse: "dorme aqui". Eram duas camas de solteiro. Tomei um banho, ela foi depois. Liguei Franz Ferdinand num som velho, fechei os olhos e cochilei. Acordei numa escuridão em que não adiantava abrir ou fechar os olhos. Só pude distinguir ela em cima de mim me beijando. Preciso admitir que essa é a melhor forma de acordar.

"So if you're lonely
You know i'm here
waiting for you"

Enquanto minha mão direita tirava a blusa dela, a esquerda procurava uma camisinha na mochila. Até hoje me pergunto, tendo em vista meu físico de cachaceiro, onde encontrei fôlego para aguentar aquela menina. Em um mês com ela, emagreci 5 kg. Até hoje sinto falta dela. Hoje eu soube que ela vai se mudar para Paris. Lá se vai mais uma mulher de minha vida.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sofá

A colega de quarto tinha viajado. Nós estávamos no sofá, a garrafa de vinho no carpete e os computadores em nossos colos. Eram 22h e ainda estávamos trabalhando.

"Terminei", eu disse. "Eu não", ela respondeu. Levantei, peguei o baseado e começamos a fumar. Foda-se que ela ainda estava trabalhando. Ela pensou o mesmo e começou a escrever chapada. Dez minutos depois eu não sentia mais meus pés. Éramos amigos, até aquele momento. Ao menos me parecia.

Abre parênteses.

No dia anterior, após outra garrafa de vinho, peguei o carro e fui levá-la até sua casa. Avenida Paulista, Rolling Stones, seu banco deitado, minha mão em seus cabelos. Quando chegamos, um abraço que durou mais de três segundos. "Agora fudeu", pensei. Descabelada, ela me olhou, riu e saiu do carro.

Fecha parênteses.

Fechei o computador dela, ela riu, sentou em meu colo e nos beijamos por uns quinze minutos. Quando parou para respirar, me deu um tapa na cara e falou: "Você é um safado. Sempre quis fazer isso...". Eu estava tão chapado que só me lembro de ter piscado e, de repente, estarmos nus na cama.

Meu juízo deve ter aproveitado a oportunidade para fazer companhia à garrafa de vinho que estava jogada no chão. Nunca mais eu o encontrei.